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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vitrais: jóias feitas de luz

No primeiro vitral que eu vi, eu tive a impressão que aquele mosaico de cores abria um buraco dentro da realidade material e conduzia meu olhar maravilhado para outra realidade que estava além do sensível.

O vitral me dava a impressão de que além da carapaça da matéria havia uma região aonde o maravilhoso se externava daquela maneira. O vitral, a bem dizer, é a porta dessa região.

Depois dessa porta há outra ordem de coisas. Está Deus. Aquele vitral é como que o cartão de visitas de Nosso Senhor, como que seu escudo heráldico.

O escudo heráldico não é a fotografia de um homem, mas é a descrição da mentalidade de uma família.

O vitral é a heráldica de Deus.

A luz criada por Deus penetrava no vitral e Deus como que dizia: "meu filho, sua alma dá para isso! sua vida existe para isso! tudo que está embaixo são coisas que na medida em que conduzem a isso estão bem".

Resultado: alguém que voltando-se de olhar para a igreja de Saint Michel visse um grupo de punks dando risada da basílica, fazendo cambalhotas, e querendo, por exemplo, jogar lixo ali dentro, a posição natural e imediata seria ...

Há uma proporção: quanto mais alto a alma subiu, mais essa reação seria definida. A reação é o termômetro exato do entusiasmo.


domingo, 4 de outubro de 2009

Jóia arquitetônica: o castelo medieval

Vitré
De dois modos costuma-se ver os castelos feudais. Ora é o suave e romântico solar dos contos de fadas, com suas torres brilhando ao luar, sua ponte levadiça baixando silenciosamente para deixar entrar o príncipe valente e formoso, que vem encontrar-se com a dama dos seus sonhos, enquanto o vigia soa a trompa e as notas maviosas se espalham pelo lago ao redor, etc.

Para outros é o tenebroso reduto da opressão de um tirano, com negras masmorras em que gemem servos desgraçados, cujas plantações foram destruídas pelas cavalgadas do senhor em alegres folgares de caça, ou pilhadas por sua hoste em rudes lides de guerra.

Clerans, Castelos medievaisA verdade não está em nenhum destes extremos, clamorosamente contraditórios entre si.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Esplendor e catolicidade nas vestimentas das cortes reais


Uma mão de adolescente apenas saído da meninice, delicada e regia, franzina e forte, envolvida em rendas e sedas, pérolas e pedras preciosas, com um gesto discreto mas soberano: a mão de Luis XIV na idade de assumir a coroa, foi o motivo escolhido pelos organizadores da amostra “Fastos de corte e cerimônias reais” que teve lugar no castelo de Versailles.

As roupagens são precisamente do Ancien Régime (1650-1800), porém um bom número delas, especialmente as das grandes solenidades puxam suas origens na Idade Média, e até conservam muito da simbologia medieval. A este título merecem uma menção neste blog.

Desde vestimentas para as grandes ocasiões ‒ coroação dos reis, bodas reais ‒ até peças usadas por monarcas, nobres e ricos-homens em entre casa, passando por um rico e subtil degradé de situações intermediárias. Pois, a vida de corte era uma refinada e exigente mistura de vida de família e de atividade pública de governo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Cruz de Lorena: símbolo dos fiéis que em meio ao abandono geral levantam a Cruz de Cristo

Brasão de Aachen
Com relativa freqüência os católicos veneram uma Cruz com duas traves. Trata-se da cruz patriarcal. Leva esse nome porque é usada pelos Patriarcas católicos desde o século XV.

Mas há também a chamada Cruz de Lorena. Esta é de todo análoga à patriarcal, mas tem uma história peculiar que começou nas Cruzadas. Eis a origem.

Jean II senhor de Chasteaux, no Anjou, governou seu feudo de 1200 a 1248. Em 1239, foi para a Cruzada acompanhando a Thibault IV duque de Champagne.

Na ilha de Creta, em agosto de 1241, recebeu de D. Thomas, bispo de Hiérapetra, um pedaço da Santa Cruz com forma de cruzeiro a duas traves.

De retorno a sua terra natal, o Anjou, Jean II vendeu a relíquia aos cistercienses da abadia de la Boissière. A abadia ficava perto do seu castelo pelo que era fácil ir venerá-la. Foi uma decisão difícil. Mais Jean II ficara muito endividado porque os nobres financiavam a Cruzada de seu próprio bolso.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Armadura: síntese da força e da beleza da missão do nobre

Armadura, Musée des Armées, ParisUma das coisas que produz o efeito mais profundo são as armaduras medievais.

Aquela armadura brilhante era feita para brigar de verdade. Aquela máscara, a viseira baixa, a cabeça toda dentro daquela caixa de metal para protegê-la, luvas de metal nas mãos, perneiras, braçadeiras e aquela resolução, a gente olha longamente.

A armadura manifesta algo da robustez moral daqueles cavaleiros, daquela vontade indomável e daquela deliberação: “Ali está um tipo que é um herege ou é um maometano, eu vou rachá-lo de meio a meio”.

A armadura não é propriamente um traje. Poderia se disser que era um traje de luta, mas não um traje para a vida de todos os dias.

O homem punha na hora do combate ou na hora que se exercitava para o combate.

A armadura é feita para a guerra, com elmos e roupas de ferro. Aquela vestimenta de metal é para guerreiro.

Já na época das armas de fogo não se pôde mais vestir armadura. As armas de fogo exigem uma capacidade de deslocamento muito grande, e contra elas as couraças não adiantam mais nada. De maneira que um regimento muito bonito de couraceiros não teria possibilidade de ganhar a batalha.

Os medievais tinham armaduras muito bonitas e muito finas. Não eram bordadas nem tinham sedas pela simples razão de que tinham outro e prata. ás vezes com aplicações imitando os desenhos da seda!

terça-feira, 2 de junho de 2009

A coroa imperial da Áustria


Não se pode querer uma coroa mais admirável e que exprima melhor o ideal monárquico, com o que ele tem de sobrenatural, do que a coroa da Áustria

A coroa consta de linha, o jogo de cores, e depois os materiais empregados.

A linha é muito suave, mas muito séria. Há uma porção de coroas cheias de vueltas y vuelteretas. Essa aqui não.

É séria como pode ser séria a alma de uma mãe. E, ao mesmo tempo, é doce, é suave.

É uma coroa materna, feita para um imperador que manda como uma mãe.

O conjunto é de uma elegância, de uma distinção e de uma grandeza que impõe respeito.

Essa dignidade está também no seguinte no fato que ela é chamada coroa mitral. Porque suas formas repetem um pouco a forma da mitra de um bispo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A mensagem da coroa de Carlos Magno

Coroa de Carlos Magno, primeiro imperador sagrado pelo PapaA coroa de Carlos Magno traz mensagens.

Ela fala de algo muito maior.

É como se essa coroa reacendesse em nós algo de maior ainda do que o ambiente histórico em a coroa esteve.

Ela traz uma mensagem e põe algo a viver dentro da pessoa que presta atenção.

É se a pessoa se abre à mensagem, ela se engaja com a coroa e seu significado.

E se várias pessoas são sensíveis a essa mensagem, nasce entre elas um relacionamento de alma.

A coroa de Carlos Magno simboliza valores absolutos, que não mudam jamais e pairam por cima dos homens.

E os símbolos têm a missão de nos dar a conhecer esses absolutos de um modo sensível.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O relicário da santa Coroa de espinhos

Relicário com a Coroa de Espinhos, atualmente conservada e venerada na Catedral Notre Dame de Paris"Pilatos então tomou Jesus e mandou-o açoitar. E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puse­ram-lha sobre a cabeça".

Narra a Tradição que a santa Coroa de espinhos, referida nessa passagem do Evangelho de São João, foi recolhida pelos discípulos do Divino Salvador e conservada até o ano de 1063 no monte Sion, em Jerusalém.

Coube a São Luís IX, rei de França, a glória de ter adquirido do Imperador de Bizâncio, em 1239, essa relí­quia inestimável.

Para abrigá-la condignamente, mandou construir a mais bela jóia arquitetônica em estilo gótico existente na Europa: a Sainte Chapelle de Paris (ao lado).

Atualmente, a Santa Coroa de espinhos pode ser venerada na Catedral de Paris, onde se encontra pro­tegida por fino anel de cristal, sob a custódia dos Cavaleiros do Santo Sepulcro de Jerusalém.

terça-feira, 21 de abril de 2009

O relicário dos três santos Reis Magos na catedral de Colônia

Urna dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha
Nenhum comentador da adoração prestada ao Menino Jesus pelos três Reis Magos — Gaspar, Melchior e Baltasar — nega que era conveniente eles irem adorá-lo, para representar os vários povos da gentilidade aproximando-se de seu berço desde o começo.

Era conveniente também que fossem magos, para representar toda a sabedoria antiga prestando homenagem ao Menino-Deus.

Sabemos que, naquela época, mago era adjetivo para o homem de uma sabedoria extraordinária.

Eram sábios, os que foram adorar o Messias.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A espada: símbolo de heroísmo e pompa

Espada de Sancho IV de Castela, 1295
Hoje em dia a espada está completamente superada como arma de guerra, e nem pode entrar em cogitação a idéia de afiar uma espada para entrar em combate.

Atualmente ela não é arma de guerra nem para a agressão nem para a defesa. Pode-se dizer que está praticamente cancelada da lista dos armamentos modernos.

Entretanto, apesar desse fato, em todos os exércitos dos países civilizados os oficiais a trazem consigo nas ocasiões de grande solenidade.

Numa época em que o desaparecimento da espada como arma chega ao seu auge, como símbolo ela ainda é tal, que não se compreende um oficial sem a sua espada.

Por outro lado, em vários países existem Academias de Letras nas quais se usam fardões, e os acadêmicos, nas ocasiões de pompa, portam a espada.

No momento em que o literato chega ao auge de sua glória e é proclamado "imortal" -- da mais mortal das imortalidades -- não lhe dão uma grande pena para usá-la como simbólico adorno, pois ficaria uma tralha ridícula. Ele sente-se inibido se não tiver uma espada. De maneira que o literato envergando o fardão, usa a espada.

terça-feira, 24 de março de 2009

Carisma sobrenatural da coroa de Santo Estevão, rei da Hungria


Santo Estevão Confessor (967-1038) foi rei e apóstolo da Hungria.

Faleceu em 1038, no dia da Grande Senhora, denominação, em virtude de um edito do santo rei, que os Húngaros dão a Nossa Senhora.

Foi pai de Santo Américo (1007-1031), príncipe modelo de pureza habitualmente representado portando couraça e um lírio na mão. Os dois santos ‒ pai e filho ‒ foram canonizados pelo Papa São Gregório VII em 1083.

Santo Estevão foi o fundador da civilização cristã na Hungria e apóstolo do seu povo. Como guerreiro enfrentou os adversários da fé de espada na mão.

Pelo fato de ter usado a realeza para converter seu povo, ele recebeu do Papa Silvestre II o título de Rei Apostólico, que depois todos os reis da Hungria usaram, até o último.

O título da realeza apostólica importa acentuar. A monarquia húngara já preexistia à sua conversão. Mas, ele operando a conversão do povo húngaro, por assim dizer, fundou de novo o povo magiar.