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domingo, 12 de maio de 2013

Suger, abade de Saint Denis: não poupar arte nem riqueza no culto sagrado

O abade Suger aos pés de Jesus Cristo, vitral da abadia de Saint-Denis
O abade Suger aos pés de Jesus Cristo, vitral da abadia de Saint-Denis
Dom Suger (1081-1151) foi abade de Saint-Denis (França), desde 1122 até sua morte.

Hábil diplomata, foi conselheiro de Luís VI e de Luís VII e Regente durante a Segunda Cruzada.

Foi chamado de “pai da monarquia francesa”.

Suger formulou uma justificação filosófica para a vida e a arte, notadamente para suas realizações arquitetônicas. Compartilhando o sentir medieval, ele concebia os monumentos como obras de teologia.
Interior da abacial de Saint-Denis, Paris, França

O abade Suger foi grande teólogo, poeta, patrono das artes e organizador das funções litúrgicas.

Ele pregou a via da elevação da alma até a contemplação das coisas divinas a partir da beleza material retamente aproveitada.

A sua influencia na arquitetura gótica foi prodigiosa, especialmente pelas maravilhas introduzidas na Basílica abacial de Saint-Denis.

Cálice do abbé Suger
Cálice do abbé Suger
Esta basílica é a necrópole dos reis da França, e subsiste até hoje, não longe do centro de Paris.

Ele escreveu:

“No que concerne à beleza dos vasos sagrados, nós acreditamos, que devemos esculpi-los primorosamente, com uma nobreza externa que corresponda à dignidade com a qual nós os manipulamos no Santo Sacrifício da Missa.

“Pois, em todas as coisas sem exceção ‒ seja pela matéria ou pelo espírito ‒ nós devemos servir o Redentor o mais perfeitamente possível.

“E é por isso que nada será suficientemente precioso, nem suficientemente belo, nem suficientemente esplêndido para conter as Sagradas Espécies.

“No Antigo Testamento, os judeus empregavam vasos e utensílios de ouro para recolher o sangue dos bodes, veados e vacas sacrificadas.

“Os cristãos no poderiam ornar com pedras preciosas os cálices de ouro que contêm o sangue de Cristo?

“A beleza da casa de Deus deve, com maior razão, dar aos fiéis como que um antegosto da beleza do Céu.

“A visão da beleza multicolor das pérolas, com freqüência, me liberou das preocupações da vida exterior elevando minha alma pelo deleite dos esplendores sensíveis até a consideração das virtudes diversas de que elas são o símbolo.

“Esta visão me deu a ilusão de me encontrar, por assim dizer, numa terra estrangeira que de maneira alguma era a terra de lama deste baixo mundo, mas ainda não era a pura região do Céu.

“Assim, parece-me que por meio do regozijo com a beleza material, nós podemos, com a ajuda de Deus, sentirmos transportados, por via anagógica (elevação da alma na contemplação das coisas divinas, êxtase, arrebatamento, enlevo), até a fruição espiritual da beleza suprema”.

(Fonte: apud Edgar de Bruyne, “Le conflit des esthétiques”, Albin Michel, Paris, 1998, p. 143).


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Um comentário:

Sergio de Camargo disse...

O mesmo Edgar de Bruyne em "Etudes d'Esthétique médiévale" [3 vols.] relata com maestria e vigor a lenta elaboração dos escolásticos, partindo de Thomas de Verceil a São Boaventura, sem esquecer, é claro, Hugo de São Vítor. Como disse certa vez um jesuíta antigo, para compreender a Idade Média, é preciso ter uma alma ANCESTRAL!