quarta-feira, 12 de março de 2025

Carisma sobrenatural da coroa de Santo Estevão, rei da Hungria

Coroa de Santo Estévão, rei da Hungria
Coroa de Santo Estevão, rei da Hungria
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Santo Estevão Confessor (967-1038) foi rei e apóstolo da Hungria.

Faleceu em 1038, no dia da Grande Senhora, denominação que os Húngaros dão a Nossa Senhora, em virtude de um edito do santo rei.

Foi pai de Santo Américo (1007-1031), príncipe modelo de pureza habitualmente representado portando couraça e um lírio na mão.

Os dois santos ‒ pai e filho ‒ foram canonizados pelo Papa São Gregório VII em 1083.

Santo Estevão foi o fundador da civilização cristã na Hungria e apóstolo do seu povo. Como guerreiro enfrentou os adversários da fé de espada na mão.

Pelo fato de ter usado a realeza para converter seu povo, ele recebeu do Papa Silvestre II o título de Rei Apostólico, que depois todos os reis da Hungria usaram, até o último.

O título da realeza apostólica importa acentuar. A monarquia húngara já preexistia à sua conversão. Mas, ele operando a conversão do povo húngaro, por assim dizer, fundou de novo o povo magiar.

Pode-se dizer também, que ele refundou a própria monarquia porque ela nasceu para uma nova vida no próprio ato de conversão.

Coroa de Santo Estevão, rei da Hungria
Coroa de Santo Estevão, rei da Hungria
O caráter de rei apostólico conferiu à dinastia uma vocação especial. E com esta vocação especial uma graça especial. E com esta graça especial uma aliança de Deus com a família real.

Ficou então na monarquia húngara algo de sagrado, como que um carisma, como que uma graça sobrenatural que a cerca, e que enche de respeito os povos.

A força desse carisma se nota muito na fidelidade dos húngaros à realeza e no prestígio da coroa usada por Santo Estevão.

Os húngaros cultuam essa coroa como uma verdadeira relíquia.

Quando vieram os comunistas, essa coroa ficou escondida. Os comunistas queriam ter a coroa, porque para os húngaros a detenção da coroa equivale, até certo ponto, à própria detenção do poder.

Por que esse prestígio e esse respeito a essa coroa?

É algo de carismático que cerca a coroa e que cerca a dinastia, que se continua e que é exatamente o fruto dessa aliança.

Coroa de Santo Estevão, rei da Hungria
Urna com a mão incorrupta de Santo Estevão
É uma infusão de graças na instituição ligada à infusão de graças na família. E que determina então a respeitabilidade sagrada de uma determinada ordem de coisas.

O que pedir a santo Estevão? Pedir-lhe, em última análise, o Reino de Maria. Porque o que ele fez foi um Reino de Maria na Hungria. Ele consagrou a Hungria à Grande Senhora.

Pedir mais do que isto: que a Providência nos dê uma multidão de Estevãos que, de fato, promovam o Reino de Maria.

Hoje, a coroa fica resguardada em magnífica urna de cristal no belíssimo prédio do Parlamento da Hungria, na capital Budapest.



Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 2.9.1964, sem revisão do autor.


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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Elegância na coroa real,
sublimidade na coroa imperial

Coroa de Luís XV, Museu do Louvre
Luis Dufaur
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No museu do Louvre, em Paris, está exposta uma coroa que foi do Rei Luís XV.

Tem toda a elegância de formas das coisas tipicamente francesas.

Gosto da elegância das formas porque ela é o primeiro estágio no caminho da sublimidade.

Aquela coroa é completamente recamada de brilhantes, de maneira que, exceto no aro que cinge a fronte do rei, nela não se vê senão brilhantes.

Uma joia magnífica!

Entretanto, nenhuma outra coroa no mundo determinou em meu espírito a impressão que produziu uma coroa mandada fazer na Boêmia por um imperador do Sacro-Império, da Casa d’Áustria.

Rodolfo II mandou fazê-la com seu próprio dinheiro.

Coroa Imperial da Austria, Viena
Não pertencendo, portanto, ao Estado, mas ao imperador romano germânico.

Depois, passou a ser a coroa dos imperadores austríacos.

É uma coroa de tal maneira sublime e magnífica que, de todas as coroas do mundo, aquela é, de longe, a que mais arrebata o meu espírito.

Quando eu soube que numa exposição em Sevilha, no pavilhão da Áustria, havia uma estampa magnífica dessa coroa, pedi que me conseguissem uma fotografia.

Guardei-a dentro de uma espécie de oratório que há no meu escritório, para poder vê-la de vez em quando.

Esse meu entusiasmo vem do quê?

Da especial e peculiar sublimidade que aquela coroa tem.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, novembro de 2023. Excertos de conferência proferida em 26.03.1939, sem revisão do autor)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Armadura: síntese da força e da beleza da missão do nobre

Luis Dufaur
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Uma das coisas que produz o efeito mais profundo são as armaduras medievais.

Aquela armadura brilhante era feita para brigar de verdade. Aquela máscara, a viseira baixa, a cabeça toda dentro daquela caixa de metal para protegê-la, luvas de metal nas mãos, perneiras, braçadeiras e aquela resolução, a gente olha longamente.

A armadura manifesta algo da robustez moral daqueles cavaleiros, daquela vontade indomável e daquela deliberação: “Ali está um tipo que é um herege ou é um maometano, eu vou rachá-lo de meio a meio”.

A armadura não é propriamente um traje. Poderia se disser que era um traje de luta, mas não um traje para a vida de todos os dias.

O homem punha na hora do combate ou na hora que se exercitava para o combate.

A armadura é feita para a guerra, com elmos e roupas de ferro. Aquela vestimenta de metal é para guerreiro.

Já na época das armas de fogo não se pôde mais vestir armadura. As armas de fogo exigem uma capacidade de deslocamento muito grande, e contra elas as couraças não adiantam mais nada. De maneira que um regimento muito bonito de couraceiros não teria possibilidade de ganhar a batalha.

Os medievais tinham armaduras muito bonitas e muito finas. Não eram bordadas nem tinham sedas pela simples razão de que tinham outro e prata. ás vezes com aplicações imitando os desenhos da seda!

Ao que é que corresponde tanta elegância numa função tão forte? É a idéia de fazer uma síntese.

A guerra é forte, brutal. Mas nobre!

Por quê? Porque nela o homem desempenha uma de suas mais belas funções, que é a de expor a vida por um alto ideal.

Por causa disso, a guerra é função própria à segunda classe social: a nobreza.

A primeira classe social era o clero. A primeira por todas as razões: aproxima o homem de Deus, distribui os sacramentos e ensina a Religião.

Logo depois vinha a nobreza, a classe dos guerreiros.

Era a classe do holocausto que partia por cima dos adversários da causa católica, ou na Cruzada, ou ao serviço do rei. Assim mantinham a dignidade do reino e a do homem, no exercício de sua capacidade de luta.

Mas, como era uma função nobre precisava ser exercida com beleza.

Porque o próprio da função nobre é ser conduzida com beleza. Aquilo que é nobre é belo!

Tudo quanto cerca a nobreza deve ser circundado de beleza e, portanto, a guerra conduzida pelo nobre tem que ser ornamental.

Eis a razão de conciliar a força guerreira com a elegância e a distinção que o nobre deve pôr em tudo quanto faz.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 1/10/94, 2/9/89, sem revisão do autor.)


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quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

O relicário da santa Coroa de espinhos

Relicário com a Coroa de Espinhos, atualmente conservada e venerada na Catedral Notre Dame de Paris

Luis Dufaur
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"Pilatos então tomou Jesus e mandou-o açoitar. E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puse­ram-lha sobre a cabeça".

Narra a Tradição que a santa Coroa de espinhos, referida nessa passagem do Evangelho de São João, foi recolhida pelos discípulos do Divino Salvador e conservada até o ano de 1063 no monte Sion, em Jerusalém.

Coube a São Luís IX, rei de França, a glória de ter adquirido do Imperador de Bizâncio, em 1239, essa relí­quia inestimável.

Para abrigá-la condignamente, mandou construir a mais bela jóia arquitetônica em estilo gótico existente na Europa: a Sainte Chapelle de Paris (ao lado).

Atualmente, a Santa Coroa de espinhos pode ser venerada na Catedral de Paris, onde se encontra pro­tegida por fino anel de cristal, sob a custódia dos Cavaleiros do Santo Sepulcro de Jerusalém.

Esta Ordem Militar foi fundada por Godofredo de Bouil­lon, duque de Lorena, que conquistou a Terra Santa aos sarracenos, em 1099, e recusou ser coroado de jóias no local onde Nosso Senhor houvera sido coroado de espinhos.

Ao longo dos séculos, vários relicários foram elaborados pela piedade católica para guardar a sagrada relíquia.

O mais belo e rico deles, foi desenhado em 1853 por indicação de Viollet­-le-Duc, o famoso arquiteto que restaurou Notre Dame de Paris e uma das máximas autoridades em arte da Idade Média, respeitando o estilo e a tradição medieval.

A base do relicário, em estilo neogótico, represen­ta São Luiz IX, Santa Helena e o Imperador latino de Bizâncio, Balduíno de Courtenay, que sustentam uma coroa de flores-de-lis, cujas pilastras são, por sua vez, apoiadas em doze estátuas representando os Apóstolos.

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quarta-feira, 23 de outubro de 2024

O relicário dos três santos Reis Magos na catedral de Colônia

Relicário dos três santos Reis Magos na catedral de Colônia
Relicário dos três santos Reis Magos na catedral de Colônia
Nenhum comentador da adoração prestada ao Menino Jesus pelos três Reis Magos — Gaspar, Melchior e Baltasar — nega que era conveniente eles irem adorá-lo, para representar os vários povos da gentilidade aproximando-se de seu berço desde o começo.

Era conveniente também que fossem magos, para representar toda a sabedoria antiga prestando homenagem ao Menino-Deus.

Sabemos que, naquela época, mago era adjetivo para o homem de uma sabedoria extraordinária.

Eram sábios, os que foram adorar o Messias.

Os três Reis Magos, de várias raças, representaram todo o mundo e toda a sabedoria antiga homenageando Nosso Senhor Jesus Cristo, levando-lhe ouro, incenso e mirra.

Urna dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha
Urna dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha
Era um gesto muito simbólico.

Nosso Senhor quis ter representantes daqueles povos, e escolheu quem os representaria em caráter simbólico. Eram só três, mas eles significavam algo nos planos da Providência.

Urna dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha
Urna dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha
* * *

Podemos pedir aos Reis Magos que orem por nós — porque certamente estão no Céu junto a Deus.

Para que tenhamos a coragem que eles tiveram: isolados no mundo pagão, à espera da estrela, aguardando a hora de Deus para cumprir Sua vontade com toda a fidelidade.

Devemos nos preparar para essa hora para sermos, também no isolamento, exemplos de fidelidade”.