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domingo, 12 de maio de 2013

Suger, abade de Saint Denis: não poupar arte nem riqueza no culto sagrado

O abade Suger aos pés de Jesus Cristo, vitral da abadia de Saint-Denis
O abade Suger aos pés de Jesus Cristo, vitral da abadia de Saint-Denis
Dom Suger (1081-1151) foi abade de Saint-Denis (França), desde 1122 até sua morte.

Hábil diplomata, foi conselheiro de Luís VI e de Luís VII e Regente durante a Segunda Cruzada.

Foi chamado de “pai da monarquia francesa”.

Suger formulou uma justificação filosófica para a vida e a arte, notadamente para suas realizações arquitetônicas. Compartilhando o sentir medieval, ele concebia os monumentos como obras de teologia.
Interior da abacial de Saint-Denis, Paris, França

O abade Suger foi grande teólogo, poeta, patrono das artes e organizador das funções litúrgicas.

Ele pregou a via da elevação da alma até a contemplação das coisas divinas a partir da beleza material retamente aproveitada.

A sua influencia na arquitetura gótica foi prodigiosa, especialmente pelas maravilhas introduzidas na Basílica abacial de Saint-Denis.

Cálice do abbé Suger
Cálice do abbé Suger
Esta basílica é a necrópole dos reis da França, e subsiste até hoje, não longe do centro de Paris.

Ele escreveu:

“No que concerne à beleza dos vasos sagrados, nós acreditamos, que devemos esculpi-los primorosamente, com uma nobreza externa que corresponda à dignidade com a qual nós os manipulamos no Santo Sacrifício da Missa.

“Pois, em todas as coisas sem exceção ‒ seja pela matéria ou pelo espírito ‒ nós devemos servir o Redentor o mais perfeitamente possível.

“E é por isso que nada será suficientemente precioso, nem suficientemente belo, nem suficientemente esplêndido para conter as Sagradas Espécies.

“No Antigo Testamento, os judeus empregavam vasos e utensílios de ouro para recolher o sangue dos bodes, veados e vacas sacrificadas.

“Os cristãos no poderiam ornar com pedras preciosas os cálices de ouro que contêm o sangue de Cristo?

“A beleza da casa de Deus deve, com maior razão, dar aos fiéis como que um antegosto da beleza do Céu.

“A visão da beleza multicolor das pérolas, com freqüência, me liberou das preocupações da vida exterior elevando minha alma pelo deleite dos esplendores sensíveis até a consideração das virtudes diversas de que elas são o símbolo.

“Esta visão me deu a ilusão de me encontrar, por assim dizer, numa terra estrangeira que de maneira alguma era a terra de lama deste baixo mundo, mas ainda não era a pura região do Céu.

“Assim, parece-me que por meio do regozijo com a beleza material, nós podemos, com a ajuda de Deus, sentirmos transportados, por via anagógica (elevação da alma na contemplação das coisas divinas, êxtase, arrebatamento, enlevo), até a fruição espiritual da beleza suprema”.

(Fonte: apud Edgar de Bruyne, “Le conflit des esthétiques”, Albin Michel, Paris, 1998, p. 143).


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domingo, 28 de abril de 2013

São Francisco de Assis exorta discípulos a procurarem maior luxo para o Santíssimo Sacramento

Turíbulo para queimar incenso, medieval
Turíbulo para queimar incenso na Adoração, medieval

De uma carta de São Francisco de Assis a todos os Superiores dos Frades Menores:

A todos os Custódios dos frades menores que receberem esta carta, Frei Francisco, pequenino servo vosso em Deus Nosso Senhor, deseja a salvação com os novos sinais do céu e da terra, que, grandes e excelentíssimos aos olhos do Senhor, são contudo tidos em conta de vulgares por muitos religiosos e outros homens.

Peço-vos ainda com mais insistência do que se pedisse por mim mesmo, supliqueis humildemente aos clérigos, todas as vezes que o julgueis oportuno e útil, que prestem a mais profunda reverência ao Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo bem como a seus santos nomes e palavras escritos, que tornam presente o seu Sagrado Corpo.

Ostensório para o Ssmo Sacramento, Groninger Museum
Ostensório para o Ssmo Sacramento,
Groninger Museum
Os cálices e corporais que usam, os ornamentos do altar, enfim tudo quanto se relaciona ao sacrifício, sejam de execução preciosa.

E se em alguma parte o Corpo do Senhor estiver sendo conservado muito pobremente, reponham-no em lugar ricamente adornado e ali o guardem cuidadosamente encerrado segundo as determinações da Igreja, levem-no sempre com grande respeito e ministrem-no com muita discrição.

Igualmente os nomes e palavras escritos do Senhor deverão ser recolhidos, se encontrados em algum lugar imundo, e colocados em lugar decente.

E em todas as pregações que fizerdes, exortai o povo à penitência e dizei-lhe que ninguém poder salvar-se se não receber o Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor.

E quando o sacerdote o oferecer em sacrifício sobre o altar, e aonde quer que o leve, todo o povo dobre os joelhos e renda louvor, honra e glória ao Senhor Deus vivo e verdadeiro.

Altar, Alemanha
Anunciai e pregai a todo o povo o seu louvor, de modo que a toda hora, ao dobre dos sinos, o povo todo, no mundo inteiro, renda sempre graças e louvores ao Deus onipotente.

E todos os meus Irmãos custódios que receberem esta carta e a copiarem e guardarem consigo e a fizerem copiar para os Irmãos incumbidos da pregação e do cuidado dos Irmãos, e pregarem até o fim o que nela está escrito, saibam que terão a bênção do Senhor Deus e a minha.

E isto lhes seja imposto em virtude da verdadeira e santa obediência. Amém.

E o poverello de Assisi insistia numa segunda carta com zelosa premência:

A todos os custódios dos frades menores que receberem esta carta, Frei Francisco, o menor dos servos de Deus, envia saudação e santa paz no Senhor.

Sabei que existem algumas coisas que aos olhos de Deus são sumamente superiores e sublimes, as quais os homens por vezes julgam vis e abjetas; e outras existem que os homens tem em alto preço e admiração, ao passo que Deus as vê como as mais vis e abjetas.

Imaculada Conceição, detalhe de paramento sacerdotal bordado por dominicanas inglesas
Imaculada Conceição, detalhe de paramento sacerdotal bordado por dominicanas inglesas
Peço-vos, diante de Deus Nosso Senhor, tanto quanto posso, que entregueis aquela carta que trata do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor aos bispos e clérigos e guardai bem na memória o que a respeito disso vos recomendamos.

Acerca da outra carta que vos envio, rogo-vos que a façais chegar às mãos dos podestás, cônsules e regentes; fazei dela muitas cópias, para que se divulguem entre os povos e publicamente os louvores de Deus.

Cuidai bem de entregá-la àqueles que a devem receber.


(Fonte: “Cartas de São Francisco de Assis”, edição digital INTRATEXT)


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domingo, 5 de agosto de 2012

Relicários de Santa Waldetrudis, princesa fundadora de Mons, na Bélgica

Relicário principal de Santa Valdetrudis, princesa, abadessa e fundadora de Mons, Bélgica
Relicário principal de Santa Valdetrudis, princesa, abadessa e fundadora de Mons, Bélgica
Na cidade de Mons, na Bélgica, todos os anos o relicário de Santa Waldetrudis (612-688), princesa fundadora da cidade, desce solenemente do altar, no sábado anterior à festa da Santíssima Trindade.

O reitor da Basílica o confia ao burgomestre (prefeito), responsável pela segurança do relicário durante a procissão pelas ruas da cidade nos dias seguintes, sobre um carro de ouro. No fim, voltam à Basílica, onde acontece a restituição.

No vídeo vemos, junto com sua abadessa, as religiosas cuja congregação foi fundada pela santa. Depois vemos o clero carregando as urnas com as relíquias, bispos e guardas suíços armados vestindo uniformes típicos do século XVI. Por fim, vêm o prefeito, vereadores e diversas autoridades, enquanto o povo entoa um cântico especial em honra da santa.

Santa Waldetrudis é também conhecida como Santa Waudru de Mons, Waldetrude ou Santa Waudru. Na Holanda seu nome é sint Waldetrudis (ou sint Waltrudis), sendo ela padroeira da cidade de Herentals, onde lhe é dedicada a imensa igreja principal de Sint-Waldetrudiskerk (“Igreja de Santa-Waudru”).

Sua festa é comemorada em 9 de abril, e também em 4 de fevereiro.

A santa nasceu numa família da alta nobreza francesa. Seu pai, Walberto, foi mestre de palácio do rei Clotário II; sua mãe, Bertila, foi filha do rei de Turíngia Raul I.

Veja vídeo
Descida das relíquias

de Santa Waldetrudis

Ela casou com Maldegário, conde de Hainaut, poderoso senhor feudal, e tiveram quatro filhos.

Tendo completado a educação dos filhos, seu esposo se retirou à abadia de Hautmont, que ele próprio havia fundado, como simples frade, adotando o nome de Vicente.

Por sua vez, Santa Waldetrudis, aconselhada por seu confessor São Ghislain, fundou um oratório sobre um morro (o Mons). Em torno desse oratório se desenvolveu uma abadia beneditina, em torno da qual cresceu uma cidade que leva o nome de Mons, no reino da Bélgica.

A abadia de Santa Waldetrudis era para mulheres da nobreza, tendo sido por isso reconhecida no século XII como capítulo nobre feminino, e as freiras eram tratadas como cônegas. No vídeo vemos umas meninas pajens, carregando a cauda das religiosas como se fossem princesas.

domingo, 15 de abril de 2012

Fra Angélico 4: Visitantes “transportados” à Idade Média



Continuação do post anterior

Seria esta a sensação da multidão de franceses cujos olhos se colavam às obras ali expostas, como que para se liberar de uma névoa que os impedia de ver tanta virtude?

A cortesia expressa por aqueles personagens e a elegância dos anjos, a suavidade dos reis e o recolhimento dos monges constituiriam uma pausa na vulgaridade de seus dias?

Sentiriam eles falta da certeza tão presente nos gestos humanos e angélicos daqueles quadros?

Entre o relativismo balofo dos atuais dias e aqueles semblantes modelados pela decisão da vontade não optavam os expectadores pela prolongada permanência junto ao Beato?

domingo, 1 de abril de 2012

Fra Angélico 3: o santo confrontado com artistas contemporâneos


Continuação do post anterior

O Beato foi praticamente o único pintor em seu gênero. Seus contemporâneos já estavam contaminados pelo ideal terreno, eminentemente emocional, que dentro em pouco dominaria a Renascença em plena realização. Zanobi Strozzi, um de seus primeiros discípulos, é um triste exemplo da solidão na qual os contemporâneos deixaram o mestre dominicano.

Em seu célebre quadro sobre Nossa Senhora, o Menino Jesus aparece despido (em todas as eras da Humanidade não se conhece exemplo de mãe que deixe seu bebê despido) enquanto Maria tem o olhar frio e vago, parecendo ignorar o Filho.

domingo, 18 de março de 2012

Fra Angélico 2: veneração pelo dogma movia seus pincéis


Continuação do post anterior

O Beato concebeu suas obras, segundo a tradição medieval, como instrumento de apostolado. Ele quis que elas trouxessem ao mundo reflexos da Beleza divina e de sua Igreja — reflexos tão perfeitos quanto seu pincel fosse capaz de representar.

Sua visão do Belo deveria instruir, mover as almas à oração e à contemplação. Foi o que fez na cela dos frades ao receber ordem de seu superior de orná-las com afrescos, no convento de São Marcos. Nelas deixou pinturas cujos traços revelam, em sua pureza e simplicidade, intensa vida interior do artista.

Antigos autores sustentam a hipótese de que ele teria tido visões durante as orações preparatórias para a execução de seus trabalhos de pintor.

Assim como os monges-construtores das primeiras catedrais góticas no século XII tinham em vista exclusivamente a edificação espiritual dos fieis, Fra Angélico apresentou, sob seus traços e suas cores, a verdade e o dogma.

domingo, 4 de março de 2012

Fra Angélico 1: luz sobre o dogma e a França


“A França deveria ser para o conjunto das nações católicas a terra da harmonia, da bondade, do sorriso, da generosidade de alma, do dom total de si mesma à vossa pessoa e, por vosso intermédio, a vosso divino Filho; a terra cuja alma se exprime na Sainte Chapelle, em Notre-Dame e em tantos outros monumentos que cantam a vossa glória”.

Ao final deste fragmento de uma oração, dirigida por Plinio Corrêa de Oliveira a Nossa Senhora enquanto Rainha da França, nós poderíamos acrescentar Fra Angélico entre as expressões da alma francesa, embora ele fosse italiano.

A harmonia e a doçura que emanam das linhas e das cores de suas configurações da História Sagrada e das verdades de fé são representações pictóricas inteiramente afins com a sacralidade daqueles monumentos arquitetônicos franceses.

O público francês confirma nestes dias essa atração: desde o final de setembro, todos os dias da semana, as salas de exposição do Museu Jacquemart-André, em Paris, estão continuamente cheias. Elas expõem uma coleção de numerosas pinturas de Fra Angélico.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Jóias e símbolos na Terra e no Céu Empíreo – 4



Continuação do post anterior

Símbolo de valores morais

Na ordem social e política cristã, cabe à nobreza, e de modo especial aos reis, serem para o povo um modelo de prática adamantina (a palavra se origina de diamante) das virtudes católicas: Santo Henrique, imperador alemão; São Luís IX, rei da França; São Fernando de Castela; São Pedro Urséolo, Doge de Veneza; Santa Isabel da Hungria; Santa Isabel de Portugal; Santa Clotilde – para mencionar apenas alguns, mas esplêndidos exemplos disso.

É pois benéfico para a sociedade que sejam ornados com símbolos da Pátria celeste aqueles que, com seu estilo requintado de vida, nos figuram o ideal do Céu.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Jóias e símbolos na Terra e no Céu Empíreo – 3


Continuação do post anterior

O diamante, a mais dura das pedras, é símbolo da virtude inabalável. Ele destina-se a prestigiar a virtude e a santidade.

Mas cada pedra preciosa tem um significado místico religioso. Santa Hildegarda de Bingen, que vai ser declarada Doutora da Igreja em breve, consagrou 26 capítulos de seu livro “Physica” às virtudes e poderes curativos que Deus pôs em cada uma delas.

Estas considerações simbólicas são especialmente verdadeiras quando se trata daquelas instituições na Terra que melhor refletem a ordem e a santidade do Céu: a Santa Igreja Católica e a Civilização Cristã.

Exemplo magnífico é constituído pela insígnia da ordem de origem medieval do Toison d'Or (Tosão de ouro).

A que vemos aqui foi composta para os reis de Portugal com 400 diamantes brasileiros.

A Ordem do Tosão de Ouro, essencialmente secular e honorífica, engajava os seus membros a exaltar o espírito cavalheiresco, tendo como fim principal a glória de Deus e a defesa da Religião cristã.

Ela, entretanto, é apenas uma prefigura dos insignes sinais que portarão na eternidade todos aqueles santos que guerrearam pela Igreja e pela Cristandade nesta vida terrena e passageira.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Jóias e símbolos na Terra e no Céu Empíreo – 2




Continuação do post anterior

O exemplo do diamante

Segundo a física, o diamante não é senão carvão que foi submetido a temperaturas e pressões extraordinárias em camadas geológicas profundas.

Se o carvão acrisolado dá no diamante, o que darão os outros elementos depois da purificação final do nosso mundo? Ficamos pasmos e maravilhados ante a incógnita.

Cada diamante é como uma gota de orvalho do Céu Empíreo, e dele nos fala naturalmente.

Por exemplo, o esplêndido ostensório da catedral de Palermo, Itália, (ao lado) enriquecido profusamente de diamantes, dá-nos uma ideia da glória do preciosíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, não somente na Hóstia consagrada, mas especialmente no Céu, ao qual Nosso Senhor ascendeu em corpo e alma.

Ele não é medieval, como várias outras peças que comentamos neste post, mas se insere na continuidade da concepção medieval do simbolismo.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Jóias e símbolos na Terra e no Céu Empíreo – 1



A Idade Média concedeu uma importância enorme aos símbolos. Esses deviam ser feitos com os melhores materiais disponíveis. Sobre tudo quando se tratava das mais altas realidades do Céu e da religião.

Nisto, ela não inovou, pois já os povos da Antiguidade tinham noções semelhantes.

A começar pelo povo judeu que os medievais conheciam pela Bíblia. Baste considerar a fastuosa vestimenta que Moisés mandou fazer para o Sumo Sacerdote.

Há um segundo motivo: o educativo. Deus pôs na Criação admiráveis símbolos que nos ajudam a compreender as verdades mais altas da Fé, como a ressurreição da carne e a vida eterna. Entre esses símbolos conta-se, sem dúvida, as pedras preciosas..

Os corpos dos falecidos na graça de Deus ressuscitarão esplendorosos como sóis, purificados de toda imperfeição, portando como gloriosas condecorações os sinais externos dos grandes feitos da sua vida.

As feridas dos mártires serão fontes de luz; os heroísmos praticados pela Fé, as vitórias contra o vício e o pecado reluzirão como coroas de ouro que iluminarão a alma, transparecendo o brilho nos corpos.

domingo, 27 de novembro de 2011

O Retábulo de Ouro da Basílica de São Marcos, Veneza

Retábulo de Ouro, catedral de Veneza. Catedrais medievais
A preciosa obra artística denominada Retábulo de Ouro (*), está colocada atrás do altar-mor da célebre Basílica de São Marcos, em Veneza.

Cada um dos esmaltes que ela contém é uma verdadeira maravilha.

No detalhe (à direita), vê-se um esmalte representando a majestade de Nosso Senhor Jesus Cristo, apresentado com as características de um Imperador bizantino, rodeado dos quatro Evangelistas (em destaque, na foto à direita). Em cima, à esquerda, São Marcos, eà direita São João; embaixo, à esquerda, São Mateus, e à direita, São Lucas.

Diz o livro do Gênesis que, tendo Deus criado todas as coisas, no sétimo dia Ele repousou contemplando Sua obra. Fez, então, um balanço da criação: o conjunto dos seres criados era “muito bom” (Gen. I, 31).

domingo, 18 de setembro de 2011

A alegria do bom combate

Musée des Armées, Invalides

Não é grandioso o elmo, esse claustro ambulante dentro do qual não se fala, mas sob o qual um coração pulsa forte?

Sim, porque é o amor de Deus, de Nossa Senhora e da Santa Igreja que lateja no coração do cavaleiro, incendeia seu olhar, arma-lhe o braço, esporeia o cavalo e... crava a lança no peito do infiel.

Entretanto aquele elmo pode servir de mortalha. E, ao cingi-lo, o cavaleiro sabe que se reveste de dupla coragem: a de matar e a de morrer!

Ambas por amor a Deus, a Nossa Senhora e à Santa Igreja. Eis nessa coragem o fundamento de toda beleza do elmo.

domingo, 8 de maio de 2011

O busto-relicário de Carlos Magno, Patriarca da Europa (741-814)

O papel de Carlos Magno como autêntico edificador da Europa católica é ímpar, tendo ele lançado os fundamentos das nações européias mediante a fundação de um Império que veio a se tornar o Sacro Império Romano Alemão.

Deste patriarca da civilização européia e, mais especialmente, dos povos de língua germânica, conserva-se um busto-relicário na cidade de Aquisgrão.

Convêm lembrar que em certas dioceses do Norte da Europa está permitido o culto nas igrejas a esse imperador como Beato Carlos Magno, e se veneram suas relíquias.

No ano 800, o Papa Leão III recebeu Carlos Magno em Roma, e o proclamou Imperador Romano do Ocidente.

Com o Sacro Império de Carlos Magno nasceu a Europa como unidade de civilização, a Europa católica.

Seu poder, sua grandeza e sua glória eram reconhecidos além de suas fronteiras. Ele foi o árbitro supremo de toda a Europa cristã, o sustentáculo da Idade Média.

domingo, 24 de abril de 2011

A espada: símbolo de heroísmo e pompa



Hoje em dia a espada está completamente superada como arma de guerra, e nem pode entrar em cogitação a idéia de afiar uma espada para entrar em combate.

Atualmente ela não é arma de guerra nem para a agressão nem para a defesa. Pode-se dizer que está praticamente cancelada da lista dos armamentos modernos.

Entretanto, apesar desse fato, em todos os exércitos dos países civilizados os oficiais a trazem consigo nas ocasiões de grande solenidade.

Numa época em que o desaparecimento da espada como arma chega ao seu auge, como símbolo ela ainda é tal, que não se compreende um oficial sem a sua espada.

Por outro lado, em vários países existem Academias de Letras nas quais se usam fardões, e os acadêmicos, nas ocasiões de pompa, portam a espada.

No momento em que o literato chega ao auge de sua glória e é proclamado “imortal” ‒ da mais mortal das imortalidades ‒ não lhe dão uma grande pena para usá-la como simbólico adorno, pois ficaria uma tralha ridícula.

Ele sente-se inibido se não tiver uma espada. De maneira que o literato envergando o fardão, usa a espada.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O rosto de Jesus Cristo impresso nas catedrais medievais

 “Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris, eu cheguei à noitinha. Jantei, e fui imediatamente ver a Catedral de Notre-Dame.

Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita, comum.

A Catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral assim de lado, e numa focalização completamente fortuita.

Ela me pareceu desde logo, naquele ângulo tomado assim, se acaso existisse ‒ em algum sentido existe ‒ eu diria que é tomado ao acaso, eu olhei e achei tão belo que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel:

Veja vídeo
Vídeo: o rosto de Cristo
impresso nas catedrais medievais
“Pára, que eu quero ficar aqui! Eu sei que o resto é muito belo, mas eu creio que poucos olharam essa Catedral desse ângulo e pararam. E eu quero ser dos poucos, para dar a Nossa Senhora o louvor deste ponto de vista aqui, que os outros talvez não tenham louvado suficientemente.

“Ao menos se dirá que uma vez, um peregrino vindo de longe amou o que muitos outros, por pressa, por isso ou por não terem recebido uma graça especial naquele momento para aquilo, não chegaram a amar.”

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A tríplice coroa dos Papas tomou forma final na Idade Média

Brasão do Estado da Cidade do Vaticano
O Estado da Cidade do Vaticano tem um brasão. Ele se compõe com duas chaves cruzadas, a tiara pontifícia sobre fundo vermelho e a inscrição “Estado da Cidade do Vaticano” e uma estrela de oito pontas.

A tiara, também conhecida como “triregno” (literalmente tríplice reinado) está composta de três coroas e leva no topo um globo com a cruz.

É a coroa própria dos Papas.

É uma coroa única no mundo. E tomou sua forma praticamente definitiva durante a Idade Média.

Coroas semelhantes à tiara já foram usadas na Antiguidade, inclusive por egípcios, partos, armênios e frigios.

A origem mais remota dela está no Antigo Testamento. Deus disse a Moisés: “Farás também uma lâmina do mais puro ouro, na qual farás abrir por mão de gravador: ‘Santidade ao Senhor’. E atá-la-ás com uma fita de jacinto e estará sobre a tiara, iminente à testa do pontífice. E Arão levará sobre si. E sempre esta lâmina estará sobre a sua testa para que o Senhor lhe seja propício” (Ex, 28, 36-37).

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Proclamar com ufania a glória da Cruz

A honra de Nosso Senhor Jesus Cristo é reivindicada pela Igreja.

Por isso os católicos tomaram a cruz como sinal de honra, símbolo de tudo quanto há de mais sagrado e de mais santo.

Como conseqüência, temos as manifestações características dos tempos de fé: a cruz colocada no alto das coroas, como sinal distintivo dos mais nobres; nos brasões das famílias de alta aristocracia; e como insígnia das condecorações.

Tudo comprovando que o católico celebra a Exaltação da Santa Cruz a fim de glorificá-la, em repúdio à humilhação sofrida por Nosso Senhor com a crucifixão, e assim revidar com ufania cavalheiresca e sobrenatural.

Tomar a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e glorificá-la; proclamar a glória da cruz com ufania; esmagar as humilhações que o adversário procura impingir contra ela — daí vem a palavra “exaltar”, isto é, levantar bem alto aquilo que estava humilhado.

É a glorificação da cruz de Nosso Senhor.


Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 29 de setembro de 1965. Sem revisão do autor.


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quinta-feira, 15 de julho de 2010

A espada de “El Cid Campeador”


A espada aqui representada é uma cópia feita em Toledo da espada do Cid.

A cópia tem elementos que não parecem autênticos, pois são pós-medievais.

Por exemplo o arabesco no começo da espada é claramente renascentista.

O fato não surpreende, porque antigamente para honrar as armas, as gerações posteriores embelezavam-nas.

O desconto feito, a espada simboliza perfeitamente o Cid.

Porque nela há uma nobilíssima despreocupação da estética.

Ela não é propriamente feia, mas ela é como é.

Ela simboliza bem como deve ser a resolução de alma do cavaleiro católico.

A espada possui uma inegável sobriedade.

Uma espada ornamental seria trabalhada até em baixo, teria por exemplo um figurinha mitológica, umas carinhas de anjinhos nas pontas.

Mas ela não tem nada disso. Ela é eminentemente sóbria. Isso é próprio à alma do cavaleiro e indica a natureza de sua resolução.

Não é a resolução do fanfarrão, mas do homem lógico, que quer realizar a dever até o fim sem se mostrar.

Há um ornato simples como que monástico. É um símbolo inteiramente idôneo de um alto heroísmo.

Esse alto heroísmo só nasce em almas completamente plácidas, que não tem explosões, nem irregularidades, que são inteiramente tranqüilas mas que quando resolvem, o fazem de um modo inexorável: “o raciocínio me indicou que é assim e, portanto, eu farei porque eu tenho que fazer e agora vai”.

Essa placidez completa da alma forte é o corolário do heroísmo.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 9.1.1974. Sem revisão do autor)

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quinta-feira, 1 de julho de 2010

O Cálice da Última Ceia, ou Santo Cálice de Valência

Cálice da Última Ceia, Valencia, Espanha
Há muitas lendas acerca da história do Cálice utilizado na última Ceia.

Mas é na Catedral gótica de Valência, na Espanha, que está esse Santo Cálice.

Nos arquivos da Catedral, se conservam os documentos que atestam sua autenticidade.

Eis a história:

Depois da assunção de Nossa Senhora, São Pedro levou o Cálice à Roma.

Lá, os Papas o utilizavam na celebração da Missa, até a perseguição aos cristãos da época de Valério.

São Lourenço, o diácono, pouco antes do seu martírio, enviou-o, para estar bem guardado, à Huesca, sua cidade natal, com uma carta escrita de seu próprio punho.

Em Huesca se conservou até 713, sendo depois resgatado dos invasores sarracenos e entregue ao Rei Mártir de Aragão.

De Zaragoza foi levado à Valência pelo Rei Alfonso V.


(Historietas catequísticas, 28º serie — F.H. Drinkwater – Editorial Herder, Barcelona, – 1ª. edição, 1902, p. 436)

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