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terça-feira, 14 de julho de 2009

Cruz de Lorena: símbolo dos fiéis que em meio ao abandono geral levantam a Cruz de Cristo

Brasão de Aachen
Com relativa freqüência os católicos veneram uma Cruz com duas traves. Trata-se da cruz patriarcal. Leva esse nome porque é usada pelos Patriarcas católicos desde o século XV.

Mas há também a chamada Cruz de Lorena. Esta é de todo análoga à patriarcal, mas tem uma história peculiar que começou nas Cruzadas. Eis a origem.

Jean II senhor de Chasteaux, no Anjou, governou seu feudo de 1200 a 1248. Em 1239, foi para a Cruzada acompanhando a Thibault IV duque de Champagne.

Na ilha de Creta, em agosto de 1241, recebeu de D. Thomas, bispo de Hiérapetra, um pedaço da Santa Cruz com forma de cruzeiro a duas traves.

De retorno a sua terra natal, o Anjou, Jean II vendeu a relíquia aos cistercienses da abadia de la Boissière. A abadia ficava perto do seu castelo pelo que era fácil ir venerá-la. Foi uma decisão difícil. Mais Jean II ficara muito endividado porque os nobres financiavam a Cruzada de seu próprio bolso.



Brasão com a Cruz de AnjouNo século XIII, a relíquia do Santo Lenho foi posta num relicário esplêndido. E ficou exposta numa capela votiva, ainda existente.

Durante a guerra dos Cem Anos, os monges confiaram a custódia da relíquia ao duque de Anjou, Luis I, cujo castelo ficava em Angers.

O duque era devoto do Santo Lenho. Ele erigiu uma confraria para melhor louvá-lo: a “Ordem da Cruz”.

Também fez bordar uma cruz dupla nas tapeçarias do Apocalipse executadas por Nicolas Bataille.

Durante a guerra dos Cem Anos, a relíquia foi e voltou diversas vezes entre o castelo e a abadia.

Ficou com os monges de modo definitivo em 1456. Nessa época já era reverenciada como a Cruz Dupla de Anjou.

castelo de AngersA relíquia foi preservada da fúria anti-cristã da Revolução Francesa, e está até hoje na capela des Incurables, no hospício de Baugé.

O duque de Anjou imortalizado com o nome do Bon roi René (1408-1480), tornou-se duque de Lorena casando com a princesa Isabelle, herdeira do ducado e levou a devoção pela Cruz de Anjou à Lorena.

Seu neto René II defendeu heroicamente a Lorena levando nas suas bandeiras a cruz dupla.

Após a vitória de Nancy em 5 de janeiro de 1477, René II gravou a cruz no seu escudo.

Ele foi imitado por seus súditos, notadamente pela cidade de Nancy.

Cruz de Lorena, Nancy, Porte de la CraffeAssim a Cruz de Anjou também tornou-se a Cruz de Lorena.

A segunda trave da Cruz, pelo geral menor e por vezes inclinada, representa o “titulus crucis”, a inscrição que Póncio Pilatos mandou colocar na Cruz do Redentor: “Jesus de Nazaré, rei dos judeus” (INRI).

A cruz dupla foi também o primeiro emblema dos reis da Hungria desde o rei Bela III (1148-1196).

Acresce que a coroa da Hungria passou por casamento à casa de Anjou. Foi assim que Luis I (1342-1382) de Hungria e da casa de Anjou gravou a Cruz de Lorena em suas armas.

E Carlos-Roberto I, da mesma família, a fixou no escudo do reino. Da Hungria passou para a vizinha Eslováquia.

A Cruz de Lorena, na Hungria é associada ao título de Rei Apostólico que o Papa Silvestre II concedeu a Santo Estevão. O santo foi sagrado como primeiro rei do país, no Natal do ano 1000. A esposa de Santo Estevão também tem culto de Santa, assim como seu filho Santo Américo.

Escudo da HungriaO atual escudo nacional da Hungria é basicamente o de Luís I de Anjou e Hungria. Ele ficou definitivamente estabelecido no tempo da imperatriz Maria Teresa da Áustria.

A Cruz de Lorena foi, além do mais, o insigne símbolo da Liga Católica. Esta coalizão impediu que a França ficasse calvinista nas Guerras de religião provocadas pelos protestantes. Os líderes da Liga pertenciam à família de Guise, dos duques de Lorena.

Cruz de Lorena, da resistênciaA Cruz de Lorena foi adotada pelos franceses inconformados com a dominação nazista de seu país durante a II Guerra Mundial.

Eles a consideraram como o mais apropriado símbolo da França contra a pagã cruz gamada.

Foi assim que a Cruz de Lorena ‒ de Anjou e Hungria ‒ passou a ser o símbolo das minorias fiéis que na hora do abandono geral levantam a Cruz de Cristo e iniciam uma epopéia de resistência saindo de um modo admirável do zero, atravessando inúmeras humilhações e problemas, até que a Providência, no fim, as premia com a vitória que de início se afigurava humanamente impossível.

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6 comentários:

Eduardo Marculino disse...

Grande BLOG...
Parabens....
abraços

Anônimo disse...

Muito bom! Obrigado pelas informações. Gostaria receber sempre outras informações sôbre este e outros tipos de história desse estilo.

Anônimo disse...

obrigado por compartilhar a informação.

Anônimo disse...

A presença desta cruz se faz na região missioneira do Rio Grande do Sul. Os catequizadores jesuitas espanhois a trouxeram para cá e hoje ela faz parte da cultura do povo gaúcho

tony ferreira disse...

Alguém pode me ajudar, pois quero comprar a cruz de Lorena com a corrente. Preciso saber em qual relojoaria encontro aqui em porto alegre.

valmir barbosa vaz disse...

Ótimo blog, muito boa as informações contidas aqui, uso pra pesquisa.