quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Brilha o fantasma dourado dos Habsburgo

O famoso diamante Florentiner salvo pela imperatriz Zita
O famoso diamante Florentiner salvo pela imperatriz Zita
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Após um século reaparece o tesouro familiar dos últimos imperadores austríacos reavivando a lembrança de um passado glorioso e causando uma enlevada comoção popular.



A memória do império dos Habsburgos ainda habita de modo silencioso, mas profundo num número incontável de descendentes dos súbditos do sacral Império autro-hungaro.

É como se um fantasma de luz sobrenatural visitasse as consciências falando da hierarquia da ordem católica que a cacofonia e o caos hodierno tenta afogar de mil maneiras.

Um fato recente fez reviver essa subtil presença sobre tudo na Europa Central.

Ele se resume assim: no ocaso trágico da monarquia austro-húngara em 1921 sumiu o tesouro pessoal da família Habsburgo, última detentora da legitimidade do império instituído pelo São Leão III na pessoa de Carlos Magno na feliz festa de Natal do ano 800 na basílica de São Pedro.

Esse lendário tesouro não fazia parte das joias da Coroa que hoje se exibem na Schatzkammer (“Câmara do Tesouro”) no palácio de Hofburg, em Viena, mas continha algumas peças simbólicas extraordinárias, que eram propriedade pessoal da família imperial.

Joias da familia Habsburgo salvas numa caixa de banco no Canadá
Joias da família Habsburgo salvas numa caixa de banco no Canadá
Desde aquele misterioso sumiço multiplicaram-se especulações e teorias sobre seu paradeiro.

Elas inspiraram até livros mais ou menos fantasiosos.

Aquelas peças estavam envoltas num mar de quintessências, histórias e carismas condensados no nome de uma família: Habsburg.

E de quantas possibilidades de futuro com o qual as almas católicas sonhavam um dia ver restauradas!

Em geral, as grandes revoluções igualitárias pilham os tesouros reais, cujas esplendidas peças muitas vezes são desmontadas, leiloadas, entalhadas de modos diferentes e vendidas a colecionistas ou acabam em museus.

O escandaloso roubo no Louvre de joias históricas da coroa francesa foi uma amostra recente da aversão igualitária e do desleixo revolucionário contra os símbolos que falam da aura de maravilhosos que envolve as monarquias católicas.

No caso, o último Imperador da Áustria, o Beato Carlos, mandou retirar as joias do país em tempo, prevendo o pior.

Entre elas, a coroa de diamantes da Imperatriz Sissi, a pulseira de diamantes com uma esmeralda gigantesca da grande imperatriz Maria Teresa e o Florentiner, diamante amarelo do tamanho de uma noz, conhecido como “a pedra do destino”, que provinha da família Medici no século XVI.

O mistério envolvera aquelas joias com véus que conectam um passado imperial preludio da divina sublimidade.

Do colar do Grão Mestre da Ordem do Toison d'Or
Do colar do Grão Mestre da Ordem do Toison d'Or
Hoje, após mais de um século de “desaparição”, elas reapareceram revelando um hábil procedimento de Zita, a última imperatriz do império austro-húngaro, só agora revelado.

E os “fantasmas dourados” das saudades se reacenderam, notadamente na Áustria.

Mas eis que reapareceu no século XXI em mãos de seu proprietário legítimo

Segundo a revista alemã “Spiegel” e o grande quotidiano “The New York Times” ficara silenciosamente no cofre de um banco canadense, dentro de uma simples mala de couro com a qual a imperatriz Zita fugiu para o exterior e ali o depositou prudentemente.

Noticiou o fato o atual herdeiro dos direitos imperiais, o arquiduque Karl Habsburg.

Zita, imperatriz destronada e exiliada, viúva com oito filhos, partiu de Bordeaux para o Canadá, fugindo do nazismo, e levou esse tesouro histórico que carregava nos locais de exilio e pobreza em que o ódio revolucionário a jogou.

Ela faleceu rodeada do amor filial do povo austríaco e no seu enterro em Viena ficou patente quanto a recordação dos Habsburgs ainda assume e é sentida pelos bons austríacos.

No Canadá ela havia disposto que dois arquiduques da família ficassem sempre informados sobre o segredo da malinha na caixa do banco.

Relógio que foi da rainha da França Maria Antonieta
Relógio que foi da rainha da França Maria Antonieta
Eles só poderiam dar a público de sua existência cem anos depois que as joias partiram para o exterior, transmitindo apenas a outros dois arquiduques o sagrado secreto.

Cumprido o prazo dois arquiduques primos de Karl Habsburg, legítimo herdeiro, o alertam por telefone, pois nem ele sabia do paradeiro.

O arquiduque Karl herdeiro direto do último imperador, o Beato Carlos, deu máxima importância ao Colar do Mestre da Ordem do Toison d’Or, agora recuperado.

O joalheiro real A.E. Köchert que detém o catálogo dos tesouros imperiais constatou a autenticidade das peças. “Fiquei emocionado”, disse ele a Spiegel.

Um jornal italiano , resumiu com estas palavras o efeito da notícia entre os melhores dos austríacos: "A Áustria soluça pelos Habsburgs"!

No entanto, algumas das joias roubadas ainda estão desaparecidas: entre elas, uma coroa da imperatriz Sissi e o famoso colar de rosas de Maria Teresa.

Os herdeiros querem exibi-las fora da Áustria temendo a cobiça dos governos republicanos.

As joias do tesouro familiar foram levadas para o exterior pela imperatriz Zita antes da existência da atual República austríaca, mas essa poderia tentar algum golpe legal para se apossar delas.

Aguardamos com veneração o momento em que possam ser expostas à admiração popular.


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