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O papel de Carlos Magno como autêntico edificador da Europa católica é ímpar, tendo ele lançado os fundamentos das nações européias mediante a fundação de um Império que veio a se tornar o Sacro Império Romano Alemão.
Deste patriarca da civilização européia e, mais especialmente, dos povos de língua germânica, conserva-se um busto-relicário na cidade de Aquisgrão.
Convêm lembrar que em certas dioceses do Norte da Europa está permitido o culto nas igrejas a esse imperador como Beato Carlos Magno, e se veneram suas relíquias.
No ano 800, o Papa Leão III recebeu Carlos Magno em Roma, e o proclamou Imperador Romano do Ocidente.
Com o Sacro Império de Carlos Magno nasceu a Europa como unidade de civilização, a Europa católica.
Seu poder, sua grandeza e sua glória eram reconhecidos além de suas fronteiras. Ele foi o árbitro supremo de toda a Europa cristã, o sustentáculo da Idade Média.
Carlos Magno foi o açoite de todos os povos idólatras e o amparo dos povos tementes a Deus.
O Papa era o Senhor de Roma, e Carlos Magno seu protetor.
A Cristandade tinha duas cabeças: uma espiritual, o Papa; e outra temporal, o Imperador.
Este administrou seus domínios através de enviados especiais, os missi dominici (enviados do senhor), um eclesiástico e um secular para cada condado. Eles recebiam os impostos e aplicavam as decisões de arbitragem.
Nesse período imperial, verificou-se um apogeu cultural em numerosas áreas: a literatura, a música, a filosofia, a teologia, as ciências, a arte decorativa, a arquitetura e a indústria têxtil.
Além disso, reinou grande pujança econômica em todos os níveis do Império carolíngio.
Carlos Magno pode ser considerado um predileto da Providência Divina, promotor dos princípios cristãos e cuja atuação constituiu um marco na História da civilização ocidental.
Faleceu em 814, no 46º ano de seu reinado.
(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, dezembro 1996).
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Não é grandioso o elmo, esse claustro ambulante dentro do qual não se fala, mas sob o qual um coração pulsa forte?
Sim, porque é o amor de Deus, de Nossa Senhora e da Santa Igreja que lateja no coração do cavaleiro, incendeia seu olhar, arma-lhe o braço, esporeia o cavalo e... crava a lança no peito do infiel.
Entretanto aquele elmo pode servir de mortalha. E, ao cingi-lo, o cavaleiro sabe que se reveste de dupla coragem: a de matar e a de morrer!
Ambas por amor a Deus, a Nossa Senhora e à Santa Igreja. Eis nessa coragem o fundamento de toda beleza do elmo.
Elmo... expressão sensível de uma deliberação: "Lutarei por amor a Deus! E se for morto, desde já aceito uma morte atroz, a fim de que os outros passem sobre meu cadáver, avancem e ganhem a batalha! A morte para mim não é uma surpresa, não é um desastre, não é uma inimiga da qual devo fugir espavorido.
"Se a morte é o fim dos dias de todos os homens, que minha morte -- conforme os desígnios da Providência -- tenha este sentido sublime: que ela venha sobre mim provocada por meu amor a Deus, e impulsionada pelo ódio que Lhe votam os adversários.
"Oh morte, neste encontro eu te venço! Porque ainda que tu me arranques a vida terrena... eu te arranco a Vida Eterna!"
(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, "Catolicismo", fevereiro 1996)
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Hoje em dia a espada está completamente superada como arma de guerra, e nem pode entrar em cogitação a idéia de afiar uma espada para entrar em combate.
Atualmente ela não é arma de guerra nem para a agressão nem para a defesa.
Pode-se dizer que está praticamente cancelada da lista dos armamentos modernos.
Entretanto, apesar desse fato, em todos os exércitos dos países civilizados os oficiais a trazem consigo nas ocasiões de grande solenidade.
Numa época em que o desaparecimento da espada como arma chega ao seu auge, como símbolo ela ainda é tal, que não se compreende um oficial sem a sua espada.
Por outro lado, em vários países existem Academias de Letras nas quais se usam fardões, e os acadêmicos, nas ocasiões de pompa, portam a espada.
No momento em que o literato chega ao auge de sua glória e é proclamado “imortal” ‒ da mais mortal das imortalidades ‒ não lhe dão uma grande pena para usá-la como simbólico adorno, pois ficaria uma tralha ridícula.
Ele sente-se inibido se não tiver uma espada. De maneira que o literato envergando o fardão, usa a espada.
Até algum tempo atrás, ao fardão dos diplomatas era também incorporada a espada.
Atualmente não sei se ainda a conservam.
Por que razão isso é assim?
Porque a espada ficou ligada a uma série de aspectos poéticos e heróicos, símbolos da cavalaria e da dignidade humana, que não se dissociam dela.
Por isso nela costumam estar presentes não só a beleza da forma, mas também a excelente qualidade do material utilizado em sua confecção, muitas vezes ornamentado com incrustações de metais nobres e pedras preciosas.
E quando seu detentor é possuidor de fé ardente e espírito sacral, não hesita em colocar uma relíquia do Santo de sua maior devoção no punho da mesma.
Na Antiguidade clássica, ainda não se construíra em torno da espada toda a legenda que, sobre ela, formou-se durante a Idade Média.
Esta fase histórica soube ver com profundidade a espada, sublimá-la e transformá-la no mais alto símbolo da dignidade humana.
Um rei para ser coroado usa sempre a espada.
Para tudo de elevado, de pompa que o igualitarismo moderno ainda deixou de elevado, usa-se a espada.
O que é mais bonito dizer: “Eu herdei de meu pai uma espada” ou “eu herdei de meu pai uma geladeira, um Cadillac ou uma indústria”?
Pode ser mais lucrativo herdar do pai uma indústria, porém há mais beleza em dizer:
“Eu herdei de meu pai uma espada que, nos campos de batalha, defendeu a civilização cristã.
Ele foi um herói e morreu na guerra. A espada que usava como militar, como combatente, ele me legou!”
Uma espada assim deveria ser guardada numa capela. Pois ela transformou-se numa relíquia.
(Fonte: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, 9 de maio de 1969. Sem revisão do autor, apud “Catolicismo”).
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A honra de Nosso Senhor Jesus Cristo é reivindicada pela Igreja.
Por isso os católicos tomaram a cruz como sinal de honra, símbolo de tudo quanto há de mais sagrado e de mais santo.
Como conseqüência, temos as manifestações características dos tempos de fé: a cruz colocada no alto das coroas, como sinal distintivo dos mais nobres; nos brasões das famílias de alta aristocracia; e como insígnia das condecorações.
Tudo comprovando que o católico celebra a Exaltação da Santa Cruz a fim de glorificá-la, em repúdio à humilhação sofrida por Nosso Senhor com a crucifixão, e assim revidar com ufania cavalheiresca e sobrenatural.
Tomar a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e glorificá-la; proclamar a glória da cruz com ufania; esmagar as humilhações que o adversário procura impingir contra ela — daí vem a palavra “exaltar”, isto é, levantar bem alto aquilo que estava humilhado.
É a glorificação da cruz de Nosso Senhor.
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 29 de setembro de 1965. Sem revisão do autor.
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De dois modos costuma-se ver os castelos feudais.
Ora é o suave e romântico solar dos contos de fadas, com suas torres brilhando ao luar, sua ponte levadiça baixando silenciosamente para deixar entrar o príncipe valente e formoso.
Ele vem encontrar-se com a dama dos seus sonhos, enquanto o vigia soa a trompa e as notas maviosas se espalham pelo lago ao redor, etc.
Para outros é o tenebroso reduto da opressão de um tirano.
Prédio dotado de negras masmorras em que gemem servos desgraçados, cujas plantações foram destruídas pelas cavalgadas do senhor em alegres folgares de caça, ou pilhadas por sua hoste em rudes lides de guerra.
A verdade não está em nenhum destes extremos, clamorosamente contraditórios entre si.
O feudalismo na Idade Média foi suscitado pela Igreja.
Foi o espírito católico dos homens medievais que os levou a se organizarem numa sociedade como nunca houve mais perfeita.
Nem o romantismo dos trovadores, que marca a decadência do espírito medieval, nem as assombrações ridículas com que os inimigos da Igreja procuram denegrir as instituições da civilização cristã nos dão a verdadeira fisionomia do castelo feudal.
Para compreendê-la, remontemos às suas origens e vejamos como os castelos surgiram, como evoluíram, como se formou a sociedade feudal de que eles são imagem.
Embora todas as nações da Cristandade tenham tido a mesma estrutura social, a evolução foi diferente em cada caso.
E a França foi o paíse onde o feudalismo atingiu seu apogeu.
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O Estado da Cidade do Vaticano tem um brasão. Ele se compõe com duas chaves cruzadas, a tiara pontifícia sobre fundo vermelho e a inscrição “Estado da Cidade do Vaticano” e uma estrela de oito pontas.
A tiara, também conhecida como “triregno” (literalmente tríplice reinado) está composta de três coroas e leva no topo um globo com a cruz.
É a coroa própria dos Papas.
É uma coroa única no mundo. E tomou sua forma praticamente definitiva durante a Idade Média.
Coroas semelhantes à tiara já foram usadas na Antiguidade, inclusive por egípcios, partos, armênios e frigios.
A origem mais remota dela está no Antigo Testamento. Deus disse a Moisés: “Farás também uma lâmina do mais puro ouro, na qual farás abrir por mão de gravador: ‘Santidade ao Senhor’. E atá-la-ás com uma fita de jacinto e estará sobre a tiara, iminente à testa do pontífice. E Arão levará sobre si. E sempre esta lâmina estará sobre a sua testa para que o Senhor lhe seja propício” (Ex, 28, 36-37).
Tiara de Pio VII.
Aarão, irmão de Moisés é o arquétipo de Sumo Sacerdote e prefigura os Papas instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo na pessoa de São Pedro, e continuado por seus sucessores de Roma.
O Papa Sérgio III (904-911) fez cunhar moedas com a imagem de São Pedro com tiara. Na basílica inferior de São Clemente, em Roma, um fresco do fim do século XI apresenta o Papa Adriano II (867-872) com a tiara.
A primeira coroa da tiara reúne simbolicamente a jurisdição eclesiástica do Papa e a coroa do governo temporal sobre os feudos pontifícios.
Bonifacio VIII (1294-1303), que sofria execrável revolta do rei da França Filipe o Belo, acrescentou a segunda coroa, para sublinhar que a autoridade espiritual do Papa está por cima da autoridade temporal dos reis.
Bento XII (1334-1342) acrescentou a terceira coroa para simbolizar a autoridade efetiva do Papa sobre todos os soberanos, o que inclui o poder de instituí-los (como fez São Leão III com Carlos Magno imperador) ou destituí-los (como São Gregório VII com o imperador Henrique IV).
As três coroas representam também a potestade máxima na Ordem do Sacerdócio, na Jurisdição (ou poder de mando) Universal e no Magistério Supremo, exclusivos do Sumo Pontífice.
Tiara de Gregorio XVI, 1834
No século XIII foram acrescentadas as fitas posteriores. Elas evocam as fitas que na Antiguidade cingiam a cabeça dos sacerdotes.
A tiara era imposta ao novo Papa pelo Cardeal protodiacono pronunciando a seguinte fórmula: “Recebe a tiara ornada com três coroas e sabe que és o pai dos príncipes e dos reis, o reitor do mundo, o vigário na terra do Salvador nosso Jesus Cristo, ao qual se deve todo honor e toda glória pelos séculos dos séculos”.
Em virtude destes significados, a tiara foi particularmente odiada pelos inimigos da Igreja e de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, em sentido contrário, ela foi amada até a efusão do sangue pelos santos e pelos fiéis especialmente devotados ao sucessor de Cristo.
Nações e dioceses fizeram questão de doar mais ricas e esplendorosas tiaras ao Pai comum da Cristandade. Por isso há várias tiaras. Elas competem em arte, beleza e riqueza. Alguns Pontífices sobremaneira amados ganharam mais de uma, como o bem-aventurado Pio IX. Várias se conservam no Vaticano.
A tiara não era usada no dia-a-dia, mas nas solenidades. O último a usá-la de público foi S.S. Paulo VI na basílica de São Pedro no dia 30 de junho de 1963.
Em 13 de novembro de 1964, na terceira sessão do Concílio Vaticano II, o secretário do mesmo, Mons. Pericle Felici, anunciou que o Papa Paulo VI doava sua tiara aos pobres.
Então Paulo VI desceu do trono e depôs a tiara sobre a mesa do altar em meio às aclamações dos padres conciliares. Aquela tiara lhe fora presenteada pela arquidiocese de Milão, da qual ele foi arcebispo, com o contributo dos fiéis até dos mais humildes e sacrificados. Desde então, nem ele nem seus sucessores, nunca mais a usaram.
Tiara do Beato Pio IX, doada pela Bélgica
Desde a eleição de S.S. João Paulo I, em agosto de 1978, a cerimônia da coroação foi substituída pela simples imposição do pálio.
A mais antiga representação das chaves cruzadas tendo sobre si a tiara é tempo do pontificado de Martinho V (1417-1431). O sucessor, Eugenio IV (1431-1447), cunhou esse emblema numa moeda de prata, conhecida como o “grosso papale”.
As chaves simbolizam os poderes dados ao Papa por Nosso Senhor Jesus Cristo Evangelho (Mat, 16-19).
Uma chave é dourada e significa que o Papa tem o poder supremo na ordem espiritual. A chave de prata indica que o Poder supremo do Papa sobre a ordem temporal é circunscrito a tudo aquilo que se refere à Fé e à Moral, conservando a ordem temporal sua autonomia naquilo que excede esses campos superiores. A chave dourada passa por cima da chave de prata.
As duas chaves condensam todos os poderes do Papa.
Há pelo menos oito séculos, os Papas têm seu próprio brasão pessoal. No atual de S.S. Bento XVI figura uma concha, a cabeça de moro e um urso.
No domingo 10 de outubro foi ostentado pela primeira vez o brasão de S.S. Bento XVI com a tiara pontifícia, símbolo exclusivo dos Papas.
Até o presente, em seu lugar, havia uma mitra, símbolo próprio de um bispo.
Brasão pessoal de S.S. Bento XVI
A empresa italiana de bordados de luxo Ars Regia responsável pela confecção do brasão bordado no tapete exposto sob a janela em que o Pontífice fala aos peregrinos, explicou que foi feito segundo “a antiga tradição”.
O cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo explicou a “La Croix” que a decisão de não mais usar a tiara fora do próprio Bento XVI, quem agora a restaurou. “No dia seguinte de sua eleição, testemunhou o Cardeal, ele próprio disse-me que ele não queria que a tiara continuasse aparecendo e que queria substituí-la por uma mitra”.
Esta restauração foi recebida com júbilo pelos católicos amantes da Cristandade.
Civilização Cristã: triunfo do Evangelho em toda a vida
"O que é uma civilização cristã senão aquela em que todas as esferas da vida pública e privada, os costumes, as instituições, a cultura, a arte, a economia, a política e as leis recebem o influxo do Evangelho?"